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Um pouco sobre mim

Licenciado em Ciências Biológicas e Pedagogia pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI), com especialização em Educação a Distância pela Universidade de Brasília (UnB). Mestrando em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB) na área de concentração Políticas Públicas e Gestão da Educação.

 

 

 


Educação no Brasil: a prioridade postergada

bartolomeu.sousa@gmail.com


A recente divulgação dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008, realizada pelo IBGE, nos mostra ainda uma triste realidade educacional, que expressa de forma clara às marcas da desigualdade social do País. Tema de freqüência constante no universo vocabular da nossa classe política, a educação, na sua forma mais importante nas sociedades atuais, a escolarização, ainda representa um grande desafio para a sociedade, principalmente no que se refere à elevação da média de escolaridade da população e a garantia de padrões de qualidade.

 

Segundo a PNAD 2008 a média de anos de estudo da população brasileira é de apenas 7,4 anos, média inferior a escolaridade obrigatória, mesmo considerando-se o ensino fundamental de oito (08) anos. Esse percentual difere de forma bastante expressiva quando se analisa os indicadores de localização e raça ou cor. Na categoria localização a população rural chega quase a menos de quatro anos, com a média de 4,6 anos de estudo. A população negra tem menos 1,8 anos de estudo da média geral da população.

 

Um dos quesitos onde é mais nítida a desigualdade social na educação é na comparação da escolarização entre ricos e pobres. A população mais pobre apresenta em média 5 anos de estudo enquanto os mais ricos possuem cerca de 10,4 anos, ou seja, estão 5,4 anos na frente dos mais pobres.

 

O analfabetismo ainda permanece como uma das nossas grandes mazelas sociais. Mesmo com uma queda permanente nas taxas de analfabetismo desde a década de 1990, que fizeram o índice recuar para 10,0% em 2008 ainda temos uma das taxas mais elevadas do continente sul-americano, comparando-se com países como Chile, Equador e Argentina. Os dados da PNAD revelam que mesmo com a redução dos índices o número total de analfabetos continua praticamente o mesmo dos últimos anos, girando em torno de 14 milhões de pessoas.

 

Com efeito, essas reduções dos índices de analfabetismo no Brasil vêm sendo explicadas pelos especialistas, como mais por conseqüência da dinâmica demográfica do País e menos pelos programas de alfabetização de adultos. Ou seja, com a universalização do ensino obrigatório na faixa etária dos 07 aos 14 anos e pela morte dos idosos analfabetos. Como afirma documento publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) “a taxa de analfabetismo dentro de uma mesma geração é pouco sensível a mudança com o passar dos anos”.

 

Essa breve incursão pelos dados da PNAD 2008 nos revela uma realidade que parece permanecer invisível perante os olhos dos nossos gestores políticos e de partes da sociedade. Apontada sempre de forma vazia e eleitoreira como prioridade pelos nossos dirigentes políticos, agrava-se a desigualdade educacional no País, as tensões entre o público e o privado na educação, aumentando o hiato educacional entre ricos e pobres.

 

Verifica-se que grande parte de nossos educadores não entendem a real importância da educação, considerando-a numa concepção ampla, para além das atividades formais da escola, com os seus limites e possibilidades, numa sociedade de classes, marcada por profundas desigualdades sociais como a sociedade brasileira.

 

Sem dúvida alguma que conseguimos muitos avanços nos últimos anos, principalmente no que se refere ao acesso a escola por grande parte dos segmentos historicamente dela excluídos. No entanto ainda temos um longo caminho a trilhar no que se refere à elevação da qualidade da oferta educativa, para a qual deve concorrer a elevação do atual patamar de financiamento público, com controle social dos recursos públicos, valorização dos profissionais da educação e democratização da gestão, tanto da escola como dos sistemas de ensino.

Bartolomeu Sousa
Especialista em Educação a Distância

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Bartolomeu Sousa