A recente divulgação dos dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD) 2008, realizada pelo IBGE,
nos mostra ainda uma triste
realidade educacional, que expressa
de forma clara às marcas da
desigualdade social do País. Tema
de freqüência constante no universo
vocabular da nossa classe política,
a educação, na sua forma mais
importante nas sociedades atuais, a
escolarização, ainda representa um
grande desafio para a sociedade,
principalmente no que se refere à
elevação da média de escolaridade
da população e a garantia de
padrões de qualidade.
Segundo a PNAD 2008 a média de anos de
estudo da população brasileira é de
apenas 7,4 anos, média inferior a
escolaridade obrigatória, mesmo
considerando-se o ensino
fundamental de oito (08) anos. Esse
percentual difere de forma bastante
expressiva quando se analisa os
indicadores de localização e raça
ou cor. Na categoria localização a
população rural chega quase a menos
de quatro anos, com a média de 4,6
anos de estudo. A população negra
tem menos 1,8 anos de estudo da
média geral da população.
Um dos quesitos onde é mais nítida a
desigualdade social na educação é
na comparação da escolarização
entre ricos e pobres. A população
mais pobre apresenta em média 5
anos de estudo enquanto os mais
ricos possuem cerca de 10,4 anos,
ou seja, estão 5,4 anos na frente
dos mais pobres.
O analfabetismo ainda permanece como uma
das nossas grandes mazelas sociais.
Mesmo com uma queda permanente nas
taxas de analfabetismo desde a
década de 1990, que fizeram o
índice recuar para 10,0% em 2008
ainda temos uma das taxas mais
elevadas do continente
sul-americano, comparando-se com
países como Chile, Equador e
Argentina. Os dados da PNAD revelam
que mesmo com a redução dos índices
o número total de analfabetos
continua praticamente o mesmo dos
últimos anos, girando em torno de
14 milhões de pessoas.
Com efeito, essas reduções dos
índices de analfabetismo no Brasil
vêm sendo explicadas pelos
especialistas, como mais por
conseqüência da dinâmica
demográfica do País e menos pelos
programas de alfabetização de
adultos. Ou seja, com a
universalização do ensino
obrigatório na faixa etária dos 07
aos 14 anos e pela morte dos idosos
analfabetos. Como afirma documento
publicado pelo Instituto de
Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA)
“a taxa de
analfabetismo dentro de uma mesma
geração é pouco sensível a mudança
com o passar dos anos”.
Essa breve incursão pelos dados da PNAD
2008 nos revela uma realidade que
parece permanecer invisível perante
os olhos dos nossos gestores
políticos e de partes da sociedade.
Apontada sempre de forma vazia e
eleitoreira como prioridade pelos
nossos dirigentes políticos,
agrava-se a desigualdade
educacional no País, as tensões
entre o público e o privado na
educação, aumentando o hiato
educacional entre ricos e pobres.
Verifica-se que grande parte de nossos
educadores não entendem a real
importância da educação,
considerando-a numa concepção
ampla, para além das atividades
formais da escola, com os seus
limites e possibilidades, numa
sociedade de classes, marcada por
profundas desigualdades sociais
como a sociedade brasileira.
Sem dúvida alguma que conseguimos muitos
avanços nos últimos anos,
principalmente no que se refere ao
acesso a escola por grande parte
dos segmentos historicamente dela
excluídos. No entanto ainda temos
um longo caminho a trilhar no que
se refere à elevação da qualidade
da oferta educativa, para a qual
deve concorrer a elevação do atual
patamar de financiamento público,
com controle social dos recursos
públicos, valorização dos
profissionais da educação e
democratização da gestão, tanto da
escola como dos sistemas de ensino. |