O
Presidente Luis Inácio Lula da
Silva e o Ministro da Educação
Fernando Haddad lançaram no dia 28
de maio em Brasília, mais um
conjunto de medidas na área da
educação, direcionadas
principalmente para o magistério
público da educação básica.
As
medidas anunciadas compreendem o
Plano Nacional de Formação dos
Professores da Educação Básica, a
Instituição de um Exame Nacional de
Admissão de Docentes, um novo
instrumento de avaliação para a
autorização dos Cursos de
Pedagogia, a regulamentação das
normas para a complementação da
União aos estados no pagamento do
Piso Nacional do Magistério e a
homologação da Resolução nº 02 do
Conselho Nacional de Educação que
fixa as Diretrizes Nacionais para
os Planos de Carreira e Remuneração
dos Profissionais do Magistério da
Educação Básica Pública.
Dada
à abrangência e os impactos das
ações anunciadas, faço neste espaço
uma breve análise do Plano Nacional
de Formação dos Professores da
Educação Básica. Este plano,
segundo o Ministério da Educação
(MEC), tem o objetivo de formar,
nos próximos cinco anos, 330 mil
professores que atuam na educação
básica e ainda não possuem formação
em nível superior. De acordo com
dados do Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP) de 2007,
cerca de 600 mil professores em
exercício na educação básica
pública não possuem graduação ou
atuam em áreas diferentes das
licenciaturas que se formaram.
Para
essa ação o MEC está envolvendo 90
instituições de Educação Superior,
entre universidades federais,
universidades estaduais e
institutos federais (antigos CEFET’s)
que atuarão a partir de diretrizes
estabelecidas pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES), a qual atuará
como agência federal de fomento.
A
proposta prevê a oferta de cursos
de primeira licenciatura, com carga
horária de 2.800 horas mais 400
horas de estágio, para professores
sem graduação, de segunda
licenciatura, com carga horária de
800 a 1.200 horas para professores
que atuam fora da área de formação
e de formação pedagógica, para
bacharéis sem licenciatura que
atuam na educação básica. Os cursos
serão oferecidos nas modalidades
presenciais e a distância. No Piauí
esses cursos serão oferecidos pela
Universidade Federal do Piauí
(UFPI), Universidade Estadual do
Piauí (UESPI) e Instituto Federal
do Piauí.
O
governo reage tardiamente com um
plano a um dos principais problemas
da nossa educação, que reside no
ainda elevado número de docentes em
exercício sem formação em nível
superior e na precária formação dos
professores que possuem nível
superior, marcada pela histórica
dicotomia entre teoria e prática,
licenciaturas e bacharelados. Esse
plano é uma resposta do MEC a
principal demanda apresentada pelos
estados e municípios nos Planos de
Ações Articuladas (PAR) que se
refere à formação inicial e
principalmente a formação
continuada dos docentes da educação
básica.
Nesse momento é importante destacar
a histórica luta dos profissionais
do magistério no âmbito de suas
entidades representativas sejam
elas sindicais ou acadêmicas, como
a ANFOPE,
por uma política pública global de
valorização do magistério. O Plano
Nacional de Educação (PNE),
aprovado em 2001 pelo Congresso
Nacional, com vigência de 10 anos e
portanto ainda em plena vigência,
no que pese ter sido solenemente
esquecido principalmente pelo
governo federal, estabelece a
necessidade de uma política global
para o magistério que articule
simultaneamente a formação
profissional inicial, as condições
de trabalho, salário e carreira com
a formação continuada.
Como
aponta o PNE, os esforços dos
sistemas de ensino e,
especificamente, das instituições
formadoras em qualificar e formar
os professores tem se tornado pouco
eficazes para produzir a melhoria
da qualidade do ensino por meio
apenas da formação inicial, pois
muitas vezes os professores se
deparam com uma realidade difícil e
desanimadora, o que leva milhares
de professores a abandonarem o
magistério devido aos baixos
salários e as precárias condições
de trabalho nas escolas.
Infelizmente o MEC insiste na
prática de ações pontuais,
isoladas, de pacotes que não
consolidam uma política sistêmica,
ampla e contínua de valorização do
magistério, que articule a formação
inicial e continuada, com condições
adequadas de trabalho, salário e
carreira. Elementos estes
imprescindíveis para a tão
prometida e necessária melhoria da
qualidade da educação.
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