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Prezados (as) leitores (as),
Recebi um artigo da Assessora da
Secretaria Municipal de Educação de
São Raimundo Nonato Sandrina Vérica,
em que a mesma faz uma análise da
situação da lotação de professores
da rede municipal de educação para
o ano letivo de 2009. De um
procedimento padrão e interno de
todas as secretarias, em São
Raimundo Nonato, ao que tudo indica
a lotação de professores virou mais
um episódio de disputa de grupos
políticos que não tem compromisso
com a educação pública e com o
desenvolvimento econômico e
cultural do município.
Reproduzo o texto na íntegra e fico
aberto para ouvir os colegas
professores.
“A
Constituição da República
Federativa do Brasil”, promulgada
em 5 de outubro de 1988, é bem
clara em assegurar o exercício dos
direitos sociais e individuais,
dentre outros.
É
neste “manual” de direitos e
deveres que faço menção especial no
que diz respeito à EDUCAÇÃO,
especificamente no seu artigo 205,
que diz “A educação, DIREITO
DE TODOS E DEVER DO ESTADO E DA
FAMÍLIA, será promovida e
incentivada com a colaboração da
sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu
preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o
trabalho”.
Nos
dias atuais, com as informações
estampadas, não era para existir
professores e até demais cidadãos
sem compreender esta mensagem de
que educação é direito de TODOS,
inclusive de crianças que moram em
locais de difícil acesso, como as
da zona rural. Elas não têm direito
apenas à educação, mas a uma
educação de qualidade, com
professores qualificados.
Quem disse que é
humilhante, que é regressão ou
perseguição do gestor, professores
formados, com certificado de
conclusão de curso de
especialização, ministrar aulas na
zona rural? Por acaso, durante o
exercício do curso superior houve
alguma disciplina que orientasse
sobre como discriminar o tipo de
aluno que se devem oferecer aulas?
Por acaso, o dia da formatura, com
todas aquelas festas comemorativas,
tem algum significado perante a
missão de ser professor? Ou é
apenas uma forma de dar satisfação
à sociedade, em se possuir um papel
timbrado tão cobrado por ela, e que
muitas vezes, infelizmente, não
vale nada? E no dia da colação de
grau, todos de rabeca, canudo em
uma das mãos, enquanto a outra
erguida, faz-se aquele belo
juramento
“Juro,
no exercício da minha profissão,
enfrentar os desafios que a
educação me propõe, com
criatividade, perseverança e
competência, buscando novos
caminhos para o processo
educacional. (...). Juro não me
isolar dentro da Pedagogia, mas
dela partir para uma realidade mais
abrangente, em que meu trabalho
tenha um sentido mais real e justo,
observando sempre os dispositivos
legais e éticos da profissão”.
Bem, alguns até choram, se
emocionam, dão seu grito de
alegria, e todos jogam suas rabecas
para o alto, felizes, é uma cena
que só vendo.
Qual
valor teve esse juramento, diante
da situação atual da cidade de São
Raimundo Nonato, em que professores
se negam a dar aulas na zona rural?
Devemos analisar sobre como a
educação naquela cidade está sendo
tratada, por seus próprios
professores, classe profissional
que luta e luta por seus direitos
sem pensar no direito do seu maior
cliente e aliado: A CRIANÇA. A
criança é a garantia de nossas
gerações, e sofrerá ou será
beneficiada no futuro, segundo as
atitudes e decisões que tomamos no
hoje.
Creio que a atual Secretária
Municipal de Educação, como
professora em exercício da
profissão durante muitos anos,
dedicando-se outros tantos anos nas
escolas da zona rural, comprometida
com a educação do seu município,
resolvendo sanar o problema da
ausência de professores na zona
rural, com uma demanda de
profissionais ultrapassando a
necessidade na zona urbana, não
tinha intenção nenhuma de
prejudicar ninguém, mas sim, de
poder atender àquelas crianças tão
discriminadas por uma parcela dessa
classe.
É
impressionante a repercussão que
houve nesta cidade, quando a atual
Secretária de Educação resolveu
fazer o seu papel, oferecendo
educação para todos: sindicatos
foram às rádios denunciarem!
Docentes designados a irem para a
zona rural ameaçaram acionar a
justiça! Parte da comunidade
caracteristicamente política
sentiu-se prejudicada! Alguns meios
de comunicação, para aumentarem a
audiência, passavam o dia
especulando notícias absurdas! A
Secretária de Educação? Foi
intimada a comparecer diante da
justiça local para justificar
porque está designando professores
qualificados para a zona rural,
para explicar porque está querendo
cumprir com o seu dever, para
explanar porque aquelas crianças
têm direito também a uma educação
de qualidade. Ou seja, buscaram a
última instância judicial da cidade
para avalizar uma atitude de
comodidade, inércia e
descompromisso profissional.
É
absurdamente inadmissível, que uma
cidade como a de São Raimundo
Nonato (Piauí), de referência
internacional por ser uma das
cidades sediadas pela Serra da
Capivara e pelo Museu do Homem
Americano, patrimônio histórico,
terra de onde germinou grandes
poetas como Herculano Moraes, com
excelentes universidades e elevada
capacidade para crescer turística e
economicamente, possui um público
que ainda não priorizou o progresso
educacional de seus cidadãos.
Além
de ser inadmissível, demonstram
inaptidão para com a missão de
educadores, intolerância para com o
educando e desconhecimento dos
deveres como agente público que é o
de servir indistintamente aos
cidadãos. Seria muito mais humano e
digno pensarmos menos em nosso
bem-estar pessoal e manifestarmos
mais coerência profissional e mais
sensibilidade e carinho para com as
crianças, razão de nossa opção
profissional, esta, escolhida por
cada um de nós,
democraticamente. Crianças estão na
sua comunidade, à espera de alguém
que olhe por elas, que lhes dê a
instrução necessária. Alguém que
colabore para o seu desenvolvimento
como pessoas humanas e como futuros
profissionais, capazes de dar
continuidade à construção da
cidadania, da solidariedade e da
progressão sócio-cultural.
Crianças, em regra, tão carentes de
instrução, de conhecimento e de
atenção.
O
significado de vida e o futuro
dessas crianças estão em nossas
mãos. Somos responsáveis por cada
falha que elas cometerem quando
forem adultas. A educação também é
uma questão de caráter social, que
implora urgência em ser atendida
por nós educadores. Assim, devemos
coletivizar um único ideal:
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA TODOS,
SEM DISTINÇÃO.
Por Sandrina Vérica
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Bartolomeu Sousa
Especialista em Educação a
Distância |
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