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Um pouco sobre mim

Dispenso apresentações formais, pois São Raimundo Nonato me conhece. Nesta cidade nasci, cresci e residi até muito recentemente. Fui professor da rede estadual e municipal de ensino, professor da UESPI e atualmente atuo na implementação e acompanhamento de programas e projetos educacionais no Ministério da Educação em Brasília. Sou Especialista em Educação a Distância pela Universidade de Brasília (UnB) e mestrando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB). Militante e defensor de uma educação pública, gratuita, republicana e com qualidade socialmente referenciada. Neste espaço pretendo trazer temas e questões relevantes que possam contribuir com a reflexão, problematização e compreensão da educação enquanto prática social e direito de cidadania.

 

 


Apelo aos cidadãos sanraimundenses, perante a  Educação 

bartolomeu.sousa@gmail.com


Prezados (as) leitores (as),

Recebi um artigo da Assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Raimundo Nonato Sandrina Vérica, em que a mesma faz uma análise da situação da lotação de professores da rede municipal de educação para o ano letivo de 2009. De um procedimento padrão e interno de todas as secretarias, em São Raimundo Nonato, ao que tudo indica a lotação de professores virou mais um episódio de disputa de grupos políticos que não tem compromisso com a educação pública e com o desenvolvimento econômico e cultural do município.


Reproduzo o texto na íntegra e fico aberto para ouvir os colegas professores.

 


“A Constituição da República Federativa do Brasil”, promulgada em 5 de outubro de 1988, é bem clara em assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, dentre outros.

 

É neste “manual” de direitos e deveres que faço menção especial no que diz respeito à EDUCAÇÃO, especificamente no seu artigo 205, que diz “A educação, DIREITO DE TODOS E DEVER DO ESTADO E DA FAMÍLIA, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

 

Nos dias atuais, com as informações estampadas, não era para existir professores e até demais cidadãos sem compreender esta mensagem de que educação é direito de TODOS, inclusive de crianças que moram em locais de difícil acesso, como as da zona rural. Elas não têm direito apenas à educação, mas a uma educação de qualidade, com professores qualificados.

 

Quem disse que é humilhante, que é regressão ou perseguição do gestor, professores formados, com certificado de conclusão de curso de especialização, ministrar aulas na zona rural? Por acaso, durante o exercício do curso superior houve alguma disciplina que orientasse sobre como discriminar o tipo de aluno que se devem oferecer aulas? Por acaso, o dia da formatura, com todas aquelas festas comemorativas, tem algum significado perante a missão de ser professor? Ou é apenas uma forma de dar satisfação à sociedade, em se possuir um papel timbrado tão cobrado por ela, e que muitas vezes, infelizmente, não vale nada? E no dia da colação de grau, todos de rabeca, canudo em uma das mãos, enquanto a outra erguida, faz-se aquele belo juramento Juro, no exercício da minha profissão, enfrentar os desafios que a educação me propõe, com criatividade, perseverança e competência, buscando novos caminhos para o processo educacional. (...). Juro não me isolar dentro da Pedagogia, mas dela partir para uma realidade mais abrangente, em que meu trabalho tenha um sentido mais real e justo, observando sempre os dispositivos legais e éticos da profissão”. Bem, alguns até choram, se emocionam, dão seu grito de alegria, e todos jogam suas rabecas para o alto, felizes, é uma cena que só vendo.

 

Qual valor teve esse juramento, diante da situação atual da cidade de São Raimundo Nonato, em que professores se negam a dar aulas na zona rural? Devemos analisar sobre como a educação naquela cidade está sendo tratada, por seus próprios professores, classe profissional que luta e luta por seus direitos sem pensar no direito do seu maior cliente e aliado: A CRIANÇA. A criança é a garantia de nossas gerações, e sofrerá ou será beneficiada no futuro, segundo as atitudes e decisões que tomamos no hoje.

 

Creio que a atual Secretária Municipal de Educação, como professora em exercício da profissão durante muitos anos, dedicando-se outros tantos anos nas escolas da zona rural, comprometida com a educação do seu município, resolvendo sanar o problema da ausência de professores na zona rural, com uma demanda de profissionais ultrapassando a necessidade na zona urbana, não tinha intenção nenhuma de prejudicar ninguém, mas sim, de poder atender àquelas crianças tão discriminadas por uma parcela dessa classe.

 

É impressionante a repercussão que houve nesta cidade, quando a atual Secretária de Educação resolveu fazer o seu papel, oferecendo educação para todos: sindicatos foram às rádios denunciarem! Docentes designados a irem para a zona rural ameaçaram acionar a justiça! Parte da comunidade caracteristicamente política sentiu-se prejudicada! Alguns meios de comunicação, para aumentarem a audiência, passavam o dia especulando notícias absurdas! A Secretária de Educação? Foi intimada a comparecer diante da justiça local para justificar porque está designando professores qualificados para a zona rural, para explicar porque está querendo cumprir com o seu dever, para explanar porque aquelas crianças têm direito também a uma educação de qualidade. Ou seja, buscaram a última instância judicial da cidade para avalizar uma atitude de comodidade, inércia e descompromisso profissional.

 

É absurdamente inadmissível, que uma cidade como a de São Raimundo Nonato (Piauí), de referência internacional por ser uma das cidades sediadas pela Serra da Capivara e pelo Museu do Homem Americano, patrimônio histórico, terra de onde germinou grandes poetas como Herculano Moraes, com excelentes universidades e elevada capacidade para crescer turística e economicamente, possui um público que ainda não priorizou o progresso educacional de seus cidadãos.

 

Além de ser inadmissível, demonstram inaptidão para com a missão de educadores, intolerância para com o educando e desconhecimento dos deveres como agente público que é o de servir indistintamente aos cidadãos. Seria muito mais humano e digno pensarmos menos em nosso bem-estar pessoal e manifestarmos mais coerência profissional e mais sensibilidade e carinho para com as crianças, razão de nossa opção profissional, esta, escolhida por cada um de nós, democraticamente. Crianças estão na sua comunidade, à espera de alguém que olhe por elas, que lhes dê a instrução necessária. Alguém que colabore para o seu desenvolvimento como pessoas humanas e como futuros profissionais, capazes de dar continuidade à construção da cidadania, da solidariedade e da progressão sócio-cultural. Crianças, em regra, tão carentes de instrução, de conhecimento e de atenção.

 

O significado de vida e o futuro dessas crianças estão em nossas mãos. Somos responsáveis por cada falha que elas cometerem quando forem adultas. A educação também é uma questão de caráter social, que implora urgência em ser atendida por nós educadores. Assim, devemos coletivizar um único ideal: EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA TODOS, SEM DISTINÇÃO.

 

Por Sandrina Vérica

 

Bartolomeu Sousa
Especialista em Educação a Distância

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Bartolomeu Sousa

 

 

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