.:":.Portal Sanraimundense.:":. - Entretenimento e Informação.

 

.

 

 

Um pouco sobre mim

Dispenso apresentações formais, pois São Raimundo Nonato me conhece. Nesta cidade nasci, cresci e residi até muito recentemente. Fui professor da rede estadual e municipal de ensino, professor da UESPI e atualmente atuo na implementação e acompanhamento de programas e projetos educacionais no Ministério da Educação em Brasília. Sou Especialista em Educação a Distância pela Universidade de Brasília (UnB) e mestrando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB). Militante e defensor de uma educação pública, gratuita, republicana e com qualidade socialmente referenciada. Neste espaço pretendo trazer temas e questões relevantes que possam contribuir com a reflexão, problematização e compreensão da educação enquanto prática social e direito de cidadania.

 

 


Formação de professores para a educação básica: novos cenários

bartolomeu.sousa@gmail.com


         Na esteira das lutas e reivindicações pela melhoria da escola pública, a temática da formação e valorização dos professores vem desde a muito, sendo objeto de discussões, debates e reflexões principalmente no âmbito dos movimentos e entidades organizadas do campo educacional. Em resposta a essas movimentações e ações delineiam-se mudanças importantes no âmbito das políticas públicas no que se refere à formação e valorização dos profissionais da educação e que suscitam reflexões bem como envolvimento e o protagonismo dos educadores.

 

A formação de professores, tanto inicial como continuada, é um tema estratégico para a educação nacional e que exige ações efetivas e articuladas, envolvendo os três níveis de governo. O quadro atual é grave e tem repercussões diretas no nível de formação e aprendizagem dos alunos. Segundo relatório do Conselho Nacional de Educação (CNE) divulgado em 2007, o Brasil tem um déficit de 245 mil professores na educação básica, sendo mais carentes, as áreas de matemática, física, química e biologia.

 

Aliado a essa situação temos contextos e espaços variados de formação que favorecem a prática de cursos e programas de formação aligeirada com condições precárias de trabalho para a maioria dos docentes das redes públicas, somado aos baixos salários e desestímulo diante da profissão, principalmente pelos jovens.

 

Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), apenas 15% dos docentes do nível básico são formados em instituições públicas. No Piauí, felizmente temos uma situação um pouco diferente graças à política de interiorização da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) que desde 1995, oferta cursos de licenciaturas para professores em exercício nas redes públicas que não possuem formação em nível superior.

Para mudar o quadro atual da formação de professores para a educação básica, garantindo a participação mais direta e efetiva da União, o Ministro da Educação Fernando Haddad lançou recentemente minuta de decreto que cria o Sistema Nacional Público de Formação dos Profissionais do Magistério.

 

Esse futuro Sistema Nacional Público de Formação dos Profissionais do Magistério pretende criar um novo arranjo político-institucional formativo, tendo a coordenação central do MEC, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) com a finalidade de organizar, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios, a formação inicial e continuada dos profissionais do magistério para as redes públicas da educação básica.

 

A CAPES, que dispõe de reconhecimento internacional pela atuação na avaliação da pós-graduação brasileira e fomento à formação de profissionais de alto nível para as universidades, passa a ser a agência pública responsável por formar pessoal (em nível superior) para atuar em todas as etapas da educação nacional, a partir da educação infantil.

 

Segundo o ministro da Educação o objetivo a ser alcançado com o sistema é ter um em cada dois profissionais da rede pública formados por instituições estaduais ou federal. O sistema parte do princípio de que a formação de qualidade é a oferecida nas instituições públicas. Para tanto o governo vai investir R$ 1 bilhão até 2011 com a criação de 600 mil vagas de licenciaturas em universidades federais e estaduais.

 

Serão criados em cada estado e no Distrito Federal Fóruns Permanentes de Apoio à Formação Docente com a participação dos dirigentes de educação, representantes das Instituições Públicas de Educação Superior e representantes dos professores. Esses fóruns serão responsáveis pela elaboração de planos estratégicos com um diagnóstico e identificação das necessidades de formação de professores.

Garantir condições de oferta de cursos de formação inicial e continuada, na perspectiva de uma formação global de caráter sócio-histórico, que possa atender todos os professores da educação básica e estimulem o ingresso na carreira docente requer a princípio, entre outros desafios, a efetivação do regime de colaboração entre as três esferas de governo bem como a participação dos professores e estudantes de licenciaturas como sujeitos críticos participando e intervindo nas ações referentes ao seu desenvolvimento pessoal e profissional.

 

No contexto específico de São Raimundo Nonato o maior desafio sem dúvida nenhuma é a garantia de oportunidades de formação continuada tanto em cursos de curta como de longa duração. Quanto a essa etapa da formação docente, é preciso superar práticas de formação pontuais e fragmentadas que não atendem aos reais problemas e dificuldades de caráter teórico prático enfrentados pelos professores no cotidiano das escolas.

 

Esses cursos precisam ser desenvolvidos em estreita ligação com o projeto político-pedagógico das escolas, garantindo o aprimoramento contínuo da prática pedagógica dos professores, possibilitando a cada educador a possibilidade real de constituir-se em estudioso do fenômeno educativo, comprometido ética e politicamente com a escola e a educação pública.

 

Bartolomeu Sousa
Especialista em Educação a Distância

  Página Inicial | Comente esta matéria | Imprimir | Topo

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Bartolomeu Sousa